Não somos donos da verdade, se é que há alguma verdade, e estamos verdadeiramente ansiosos para desenvolver nossas discussões com vocês, leitores. Acreditamos, alias, que o livre debate com ideias divergentes, únicas, loucas, não-hegemônicas e etc… deve transgredir as algemas da polícia moral e dos conceitos generalistas, hegemônicos e opressores. Aqui abrimos espaço para o inovador, a reafirmação de ideias pré-concebidas não nos interessa, mas a formulação de novas ideias e o crescimento coletivo sim.
Vale explicitar também que, enquanto grupo, não temos qualquer vínculo partidário, institucional ou religioso. Não concordamos com qualquer tipo de marginalização social, visamos à inclusão de todos independente de sexo, cor de pele, nacionalidade, opção sexual ou situação financeira. Como comentado anteriormente, acreditamos que a diversidade é aliada da transformação, e é esta diversidade que tornará o debate mais rico, a isso só temos a celebrar. Então por favor, preserve a nós e a si mesmo de qualquer tipo de intolerância ao próximo.
É importante também ressaltar para quem participa deste movimento conosco o que podemos nos tornar e consequentemente das infinitas coisas que ainda não somos bem como a parcela de coisas que não pretendemos vir a ser.
Antes de tudo, ao visitante desavisado, torna-se imprescindível explicitar algo que não somos: Um clube de cinema. Apesar de fazermos alusão a dois filmes em nosso nome (Clube da Luta e V de Vingança, que são filmes ótimos, por sinal) o que nos move é a possibilidade de mudar. Essa possibilidade que é o fio condutor em ambos os filmes da ficção pode e deve vir a se tornar realidade, para isso, temos infinitos caminhos. O nosso trajeto em relação à renovação começa aqui, querer se informar sobre o novo e querer construir algo novo, dia após dia.
Todos sabemos como é fascinante idealizar o utópico, divagar sobre o ideal, sobre uma sociedade justa para todos, ou acabar com a pirâmide social ou erradicar a lógica capitalista. Contudo divagar e idealizar isoladamente não é suficiente para a propagação de uma mudança social. Se faz necessário tomar um discurso que, honestamente, sai raras vezes do papel em e transformá-lo em prática, aplicá-lo ao dia-a-dia. Esta necessidade é explicitada, inclusive por uma frase de um pensador alemão, cujo crédito não deve ser retirado, mas que poderia, de fato, ser qualquer um de nós: “Nos preocupamos muito em explicar o mundo, chegou a hora de muda-lo”.
Acreditamos que a mudança precisa ocorrer tanto em escala pequena, em mudanças de pensamento individual, em mudanças de atitudes e pequenas ações do dia a dia. Contudo, as ações em larga escala são necessárias, os movimentos, os protestos e as manifestações, defendemos essas ações individuais e coletivas pois são o próprio sangue vital da nossa ideologia. Chegou a hora em que devemos parar de nos contentar com as migalhas que nos são oferecidas, com o salário desproporcional ao trabalho, com o tempo de nossa vida que é roubado em prol de poucos capitalistas. Devemos parar de nos contentar com nossa escravidão, com nossa ilusória liberdade.
Se é que deve existir alguma definição para o que estamos propondo, nos contentaria de simplesmente nos categorizar como uma comunidade de compartilhamento de transformações e mudanças do pensamento. Esta, talvez, seja a ideia fundamental por trás da criação e difusão deste veículo. Para todos aqueles que estão insatisfeitos com a realidade de hoje tal qual é, bem vindo!
Agora, como podemos falar de mudança, sem falar da insatisfação que percorre nossa sociedade? O estopim já está ai há muito tempo. A depressão, o aumento constante das taxas de suicídio, estamos vivendo insatisfeitos com o modo de produção, com o isolamento forçado, com nossa escravidão despercebida aos bens de consumo, aos governos corruptos. Não estamos contentes em viver em prol de uns poucos homens e mulheres que lucram com o tempo que roubam de nós.
As sementes da revolução já foram plantadas há muito tempo, mas ainda nos prendemos aos ideais capitalistas com a doce ilusão de que um dia um sistema fundamentado na competição e na acumulação de riquezas possa ser justo, possa promover o bem estar social. Nos tornamos dependentes de nossos algozes sociais (bancos), transformando o dinheiro em uma divindade, simples retângulos de papel sem nenhuma utilidade real em ídolos, morremos e vivemos por este papel, e matamos também.
Esta submissão e adequação ao sistema capitalista talvez sejam alguns dos pontos mais importantes dos quais trataremos por aqui. Há a dúvida real, o questionamento sincero que nos moveu para o desenvolvimento desta comunidade virtual: “Há qualquer possibilidade de estarmos satisfeitos com o rumo que estamos indo agora?”
Provavelmente não.
Por que nossa insatisfação é tão profunda?
Não nos contentamos com o que nos é oferecido. Não temos interesse no mercado de marcas, no consumo desenfreado de futilidades enquanto nossos irmãos e irmãs (e tudo que existe entre e além) são sujeitos de um regime escravista, são abusados e torturados por um sistema injusto em essência. Não nos contentamos com o tempo que nos é roubado por trabalhos socialmente inúteis ou completamente desassociados dos nossos ideais e objetivos de vida. Não nos contentamos com o tempo que nos é roubado de nossa família, de nossos amigos, de nossa comunidade. Não nos contentamos com a submissão a ideia de capital, dinheiro, ao sistema legal elitista, a educação desigual e ineficiente.
Não estamos contentes com o modo capitalista de funcionar, com todos os recursos que são gastos para nos manter dóceis, sempre a procura de alguma satisfação consumista, para sempre infeliz com nossa atual situação sem conhecer paz ou satisfação. Não nos contentamos com, em nosso leito de morte, dizer: “Gostaria de ter trabalhado menos”, “Gostaria de ter passado mais tempo com minha família” e “Gostaria de ter conhecido mais o mundo”.
Cada vez que ligamos a TV ou abrimos nossos e-mails recebemos dezenas de estímulos promovendo o preenchimento do nosso vazio através do consumo. São milhares de necessidades momentâneas que logo depois de realizadas darão lugar ao novo vazio e consequentemente a procura de algo a mais. Aparentemente, é esta insatisfação que tem movido manifestações contra o nosso sistema capitalista de uns tempos para cá (Islândia vem a cabeça).
Vamos canalizar essa insatisfação para a mudança do próprio sistema, esta é uma possibilidade real que já possui diversos exemplos na contemporaneidade, movimentos sociais massivos como Occupy, Anonymous e diversas manifestações pontuais significativas. Chega que servir este ideal esquizoide que mantém nossa felicidade, nossa paz refém de um zilhão de bens de consumo. Chega de trabalhar e estudar futilidades um terço de nossa vida, gastar outro quarto no transito, cansados, estressados. Chega deste sentimento perpétuo de vazio e de insatisfação.
Tornamos natural este sistema, toda esta desigualdade e injustiça social que são oriundas da própria prática de ostentação do sistema capitalista. Naturalizamos o vazio que sentimos e a venda da nossa vida por tão pouco. Somos sim culpados por este mundo, mas somos também responsáveis por sair desta situação, temos de gritar, cantar e debater. Como diria Eduardo Marinho: “Por tantos terem tanto e que tantos têm tão pouco”. O nosso silêncio e conformação é o álibi da injustiça.
O mundo precisa de tantos ajustes que em um primeiro olhar torna-lo mais justo parece ser algo muito complicado e distante. A teoria, por via de regra, é muito mais comoda e fácil que a prática. Contudo teoria sem prática é anestesiante e nos leva a um caminho de devaneios incertos, não objetivos, mas mesmo assim importantes como, pelo menos, um primeiro passo. A prática por si só, contudo, nos leva a qualquer caminho, sem definição e sem objetivo, a prática pela prática também não é suficiente para mudança. Ambos tornam-se necessários para a mudança social.
Essa prática démodé dos dias de hoje é o que procuramos resgatar aqui e a partir de agora. Debates teóricos aplicados ao ativismo social, as formas de organização política e social, alternativas ao capitalismo e propagação das práticas sociais que visma mudança. Acreditamos que seja como andar, primeiro se dá um passo para que depois se dê o outro, um desequilíbrio constante que nos leva para frente e, se olharmos somente para nossos pés estaremos sempre submissos ao que nos rodeia.
Vamos tentar trabalhar para que nossa insatisfação seja um vetor de mudança! Vamos tomar as rédeas das nossas vidas, do nosso mundo. Deixemos de ser espectadores de nossas próprias vidas.
Estas são as propostas.
Fraternalmente,
mascarasesabonetes