"Nós, anarquistas revolucionários, somos inimigos de toda e qualquer forma de Estado. Todos os governos são, por sua própria natureza, externos à grande massa e, portanto, procuram, necessariamente, sujeitá-la a costumes e propósitos completa [ou parcialmente] estranhos a ela. Nós nos declaramos [por estes e outros motivos] inimigos do Estado em todas as suas formas. Acreditamos que a humanidade possa atingir a felicidade e liberdade apenas quando organizada de baixo para cima, sem supervisão ou quaisquer guardiães, criando assim sua própria vida." (Bakunin)
A anarquia (ou o anarquismo), longe da imagem preconceituosa que comumente circula quando o assunto é levantado, é um sistema de organização social baseado na liberdade dos sujeitos, limitada pelo respeito aos demais seres humanos e, em uma veia mais recente nascida dos problemas ecológicos que encontramos na contemporaneidade, pelo respeito ao nosso ambiente e os demais seres vivos que nele habitam. Anarquismo está longe de ser o caos generalizado e a violência sem escrúpulos que costuma aparecer quando o assunto é tratado. Denominamos esta forma de anarquia, juntamente com atitudes como pixar por pixar, quebrar material público sem motivo e o que mais puderem pensar, de anarquia de parquinho. O menino raivoso que chuta o castelinho de areia do amiguinho.
A desobediência civil é, e sempre será, uma ferramenta importante para que ocorra qualquer forma significativa de revolução, já que é difícil conceber mudanças geradas através do uso das ferramentas do próprio sistema. Não que gerar mudanças desta maneira seja impossível, simplesmente requer uma maestria do sistema e de suas entranhas que pouquíssimas pessoas no mundo terão em qualquer dado momento.
Anarquia não é simples de se atingir. Mudar a mentalidade da população mundial para que o sentimento de respeito ao próximo seja forte o suficiente para sustentar uma sociedade sem entidades Estatais beira o utópico. Mas se conseguimos adestrar bilhões de pessoas a não interagir até mesmo quando amontoados com tantos outros a menos de um braço estendido de distância, bem, acredito que outras mudanças menos danosas e absurdas sejam possíveis. A mudança, contudo, apenas se inicia na mudança da forma de pensar. Abandonar a lógica do lucro e do dinheiro também é essencial para a formação de uma sociedade anarquista, assim como a reestruturação dos próprios centros de convivência, reestruturação idealizada de forma magistral por uma iniciativa chamada "Projeto Vênus" (Project Venus).
Pensando menos no objetivo final e mais no caminho, o que é viver o espírito anarquista? Opiniões diferentes surgiram, com certeza, e não poderia ser diferente, a filosofia anarquista se baseia no respeito e na ausência de entidades controladoras, estipular definições exatas sobre o que é ser anarquista (além de um básico orientado para a reprodutividade da ideia) seria paradoxal. Nós, aqui do mascarasesabonetes, acreditamos que viver o espírito anarquista seja pensar por si próprio, analisar cuidadosamente as relações do dia a dia com senso crítico. Acreditamos que seja pensar sobre alternativas de mundo e procurar dar passos, por menores que sejam, para estimular este criticismo e estes pensamentos em nossos amigos, familiares e talvez mais importantes ainda, nos estranhos que encontramos ao longo da vida. Viver o espírito anarquista é desenvolver, espalhar e dar terra fértil às ideias que visam a libertação e a felicidade dos sujeitos, que visam um afastamento de insatisfação permanente que a sociedade capitalista nos impõem.
Viver o espírito anarquista é viver.
Fraternalmente,
mascarasesabonetes
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