quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O que é Riqueza?



“O que é propriedade e capital em sua encarnação moderna? Significam o poder e o direito garantido pelo Estado de viver sem trabalhar. Já que nem propriedade e nem capital produzem algo sem serem anteriormente fertilizados pelo trabalho - significa o poder e direito, garantido pelo Estado, de viver em cima da exploração do trabalho de outro.” - Bakunin, 1926 (traduzido por Maximoff para o inglês).

"O dinheiro não é apenas um dos objetos da paixão de enriquecer, mas é o próprio objeto dela. Essa paixão é essencialmente auri sacra fames (a maldita ganância do ouro), faz com que as pessoas vivam em torno de uma medíocre vida, ocasionada por necessidades impostas, gerando uma rotina alienada." - Frase atribuída a Marx.
A riqueza, em sua encarnação pós-moderna (ou qual seja o nome de nossa época), mudou muito pouco. A diferença principal é que uma menor parte da população pode ser considerada genuinamente rica e uma parte maior que pode ser considerada proletariado (se é que podemos falar ainda nos termos de Marx de proletariado de capitalista). Hoje predomina a luta intraclasse, ou seja, trabalhador contra trabalhador, pobre contra pobre, classe alta contra classe alta. É uma guerra por bens, por espaços, por nome no mercado. É de fato, uma luta que só pode beneficiar uma única classe, nossos mestres invisíveis (Ooooo!). Descendentes espirituais dos Capitalistas de outra época.
Os sujeitos verdadeiramente ricos hoje em dia são tão poucos e tão ricos que se torna quase que impossível tomar ação direta contra eles. Estes poucos homens e mulheres são por natureza internacionais, sem nenhum “centro de poder” que possamos atingir. São poucos, mas possuem uma rede de influência invejável, tendo o dedo, muitas vezes, em áreas inteiras do mercado internacional, ditando suas regras e estabelecendo suas leis. Em última instância é para eles que trabalhamos. É para eles que vendemos nossas vidas, nossas mentes e nosso bem estar.
Quando não os indivíduos estupidamente ricos em si, são suas grandes indústrias. Essas indústrias também se tornam cada vez menor em número, e observamos de forma mais e mais frequente os mesmos indivíduos sentados nas mesas de reunião de grandes multinacionais diferentes. Quando alguém morre de fome porque a comida é muito cara ou porque mercados preferem jogar comida fora a dar para quem precisa, são estes grandes nomes que merecem culpa. São responsáveis simplesmente por terem papel fundamental na própria lógica do sistema que vivemos atualmente, que se constrói na escassez. A escassez é o que maximiza o lucro. Se houvesse muita oferta no mercado os preços iriam abaixar. Para o preço não baixar vale a pena queimar o recurso com a intenção de não termos muita oferta, como exemplo temos aquela situação na época do café (http://www.youtube.com/watch?v=m4tY40SzK2U). Temos notícias de plantações inteiras sendo queimadas só para que o cafeicultores continuassem lucrando valores elevados.
Com certeza esses produtos fariam a diferença nas prateleiras de muitas pessoas e, honestamente, consideramos no mínimo desumano e condenável esse tipo de prática. Isso não é teoria da conspiração, é lógica capitalista em prática.
Paralelamente, quando alguém morre de uma doença porque não tem dinheiro para medicamento, mesmo quando produzir o medicamente é barato, é neles que a culpa deve recair. Quando nossa qualidade de vida é ameaçada pela emissão de gases nocivos, mesmo quando existem alternativas muito mais limpas, mas menos baratas, sabemos que são eles que verdadeiramente ameaçam nossa vida e tudo isso por lucro, dígitos em uma telinha.
Mas, se sabemos disso, o que nos impede de atacá-los, de nos manifestar contra estes homens e mulheres que só pensam em números em telinhas. Honestamente, acredito que atacá-los diretamente seja impossível. Quem esta no poder hoje é herdeiro de uma genialidade política impressionante, quem domina o mercado hoje domina, em tese, as ideias que circulam, de uma forma geral. Fomentam a luta entre membros da mesma classe social, assim como a alienação da população em relação a, bem, tudo que não seja lucrativo. É ai que a luta da pós-modernidade se encontra, é a luta das ideias, a luta dos conceitos, a luta da formação de intelectos e de opiniões e, acima de tudo, a luta pela manutenção de um senso crítico que é cada vez mais raro.
Guerrear contra estas indústrias é impossível. Contudo destruir suas bases de poder, destruir a reverência ao dinheiro que nos foi ensinada, destruir o respeito incondicional ao proprietário de grandes riquezas, lutar contra a dominação intelectual destes homens e mulheres, assassinos e ladrões, isso sim é possível. E na guerra de ideias e ideologias nós temos a vantagem, nós somos muitos, eles são poucos e uma mente crítica, aberta, é como palha seca para o fogo que pessoas, que como nós, querem ver o mundo pegar fogo (metaforicamente).
Fraternalmente,
mascarasesabonetes

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